May
25
2010
Seção de Áudios Imprimir E-mail
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Novidades - Novidades

Foi criada uma "Seção de Áudios" para publicarmos áudios de pregações ou estudos. A primeira pregação a ser publicada é uma palestra do Pr. Paulo Romeiro sobre a Predestinação. É a primeira de oito partes. Para acessar a pregação, basta clicar em "Categorias" logo acima e escolher "Áudios". Abraços a todos e espero que gostem.

 
May
16
2010
O Povo de Deus Imprimir E-mail
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Livros - Laurence M. Vance - O Outro Lado do Calvinismo *

O Povo de Deus

 

A primeira classe de argumento a ser considerada é se Deus tem um povo predeterminado esperando ser salvo pela Graça Irresistível. O principal texto para este ensino menciona o “povo” de Deus:

 

Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade (At 18.9, 10).

 

Para a interpretação calvinista padrão, citamos outro supralapsariano reformado protestante, David Engelsma, e um ex-presidente do colégio bíblico da Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares (GARBC – General Association of Regular Baptist Churches), David Netleton:

 

Antes que Paulo e o evangelho alcançassem Corinto, o Senhor tinha muito povo lá em virtude da eleição de Deus de muitos naquela cidade. A razão por que Paulo foi lá enviado para pregar e a razão por que ele tinha que permanecer lá pregando, diante de oposição, era a salvação dos eleitos naquela cidade. Paulo sabia muito bem que Deus não amava todos os coríntios e que Deus não desejava salvar todos os habitantes daquela cidade.[1]

 

Estava predeterminado que Paulo teria sucesso em Corinto. Deus lhe assegurou que Ele tinha muito povo lá. Isto enfraqueceu o evangelismo de Paulo? De forma alguma. O oposto aconteceu. Estando certo que Deus tinha escolhido muitos para salvação, Paulo põe-se a fazer a colheira.[2]

 

Que o Senhor tinha “muito povo” em Corinto não resta dúvida – mas quem eram eles? Os “eleitos”? Os “predestinados”? Se Deus já tinha “muito povo” em Corinto, então o que Paulo estava fazendo pregando lá em primeiro lugar? Se o “muito povo” que pertencia a Deus desde toda eternidade não ouvisse a mensagem de Paulo e se arrependesse, então o que teria acontecido a eles? Eles deixariam de ser um dos “eleitos”? Gentios não salvos são alguma vez chamados de povo de Deus? A Bíblia descreve os não regenerados como “filhos da desobediência” (Ef 2.2) e “filhos da ira” (Ef 2.3). O “muito povo” é definido no capítulo como Áquila e Priscila (At 18.2), Silas e Timóteo (At 18.5), Justo (At 18.7), Crispo e sua família (At 18.8) e “muitos dos coríntios” (At 18.8). Não há nenhuma criatura como um filho de Deus “eleito e não regenerado”.

 

Se Deus tem seu “povo”, então segue que o resto da humanidade não são seu povo devido ao fato que eles não foram eleitos. Isto é precisamente o que o calvinista vê no Livro de Apocalipse. Deus escreveu num livro os nomes dos “eleitos”, e os nomes dos que não foram escritos se tornaram os “não-eleitos”:

 

E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8).

 

A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá (Ap 17.8).

 

Pink afirma que esta é uma “afirmação positiva dizendo que aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida”.[3] Mas isto é exatamente o que o versículo diz. Custance é mais audacioso: “E assim também em Apocalipse 17.8 parece que ‘desde a fundação do mundo’ os nomes dos eleitos foram anotados no ‘livro contábil’ de Deus, que talvez registra os nomes dos participantes na aliança feita pelo Pai com o Filho”.[4] Mas Custance “parece” que “talvez” não esteja tão seguro de sua interpretação. Clark não mede as palavras: “O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo não pretendia salvar aqueles cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo”.[5] Mas no versículo sobre o qual ele comentou, nada é dito sobre qualquer nome sendo escrito desde a fundação do mundo. Talbot e Crampton comenta sobre o último versículo: “Várias coisas devem ser notadas nesta passagem. Primeiro, alguns nomes já foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo e alguns não foram. Algum será acrescentado? Nenhum! Algum será perdido? Nenhum! Os eleitos e os não-eleitos foram predeterminados desde toda eternidade. O número é absolutamente fixo”.[6] Achando que os calvinistas têm o melhor dos argumentos, alguns corrigem a Escritura para evitar conflito.[7]

 

A falácia das suposições calvinistas é multifacetada. O primeiro problema é que os calvinistas continuamente lêem antes sempre que vêem um versículo que menciona a fundação do mundo. Mas “desde a fundação” significa “desde a fundação”, e nunca significa “antes da fundação”. A frase em questão ocorre cinco vezes no Novo Testamento além das duas vezes que ela aparece no Livro de Apocalipse. Note que ela não poderia possivelmente ser uma referência a antes da fundação do mundo: “Para que desta geração se peçam contas do sangue dos profetas, derramado desde a fundação do mundo” (Lc 11.50). O segundo é que nenhuma menção é feita sobre a salvação de ninguém. O calvinista tenta fazer de todo versículo na Bíblia uma referência à salvação. Terceiro, não há menção do propósito para o nome de alguém ser escrito ou não. Quarto, o livro é chamado o “livro da vida”, não o “livro dos eleitos”. E finalmente, deve ser notado que alguém pode ter seu nome removido do livro da vida.

 

O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos (Ap 3.5).

 

E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro (Ap 22.19).

 

O que é isto senão “a reprovação dos eleitos”? O que está escrito no livro da vida do Cordeiro não foi feito com a caneta dos decretos soberanos nem com a tinta da eleição arbitrária.

 

O próximo texto-prova calvinista que Deus tem um grupo especial de pessoas – os assim chamados eleitos – que foi escolhido para salvação antes da fundação do mundo relaciona-se com aqueles versículos que mencionam as ovelhas de Deus:

 

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor (Jo 10.14-16).

 

Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas (Jo 10.26).

 

Estes versículos têm sofrido muita má aplicação devido à influência dos calvinistas. Pink nos informa que “o nome ‘ovelhas’ é sinônimo de ‘eleitos’, pois os tais são ‘ovelhas’ antes de crerem, sim, antes de terem nascidos”.[8] Não apenas os “eleitos” são ovelhas de Deus, mas “os eleitos sempre foram chamados de ovelhas. Amados, os santos de Deus nunca foram chamados bodes, mesmo antes de serem salvos”.[9] A referência às “outras ovelhas” de outro aprisco é o Senhor “aqui contemplando seus eleitos entre os gentios”.[10] Ainda que nenhuma forma da palavra eleição aparece no Evangelho de João, Custance insiste que “a eleição é inequivocamente mantida por todo o Antigo e Novo Testamento, e em nenhum lugar mais claramente do que no Evangelho de João”.[11] E onde ele encontra eleição no Evangelho de João? “Como é claro de Jo 10.26, nós já devemos ser ovelhas de Cristo para sermos crentes. O Senhor não disse, ‘Vós não sois minhas ovelhas porque não credes’, mas ‘vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas’ – o que é uma coisa muito diferente. A fé não é a causa desta vida mas a prova dela. Não somos salvos porque cremos, mas cremos porque somos de suas ovelhas”.[12]

 

Há dois problemas principais com esta interpretação. Em primeiro lugar, se os homens são ovelhas antes de crerem, então eles já têm a vida eterna: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28). Se as ovelhas nunca foram bodes, então como eles podem nascer “mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1)? Ninguém entre os gentios não salvos é alguma vez chamado de ovelha. Tentem porcos e cães (Mt 7.6; 15.26, 27; 2Pe 2.1, 22). Os gentios “naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2.12). Uma das ovelhas pode ir para o inferno? Por que então as ovelhas de Deus crêem em Cristo?

 

O segundo problema diz respeito à identificação das ovelhas. Quem são as ovelhas? De acordo com Micaías (1Re 22.17), Asafe (Sl 74.1; 78.52; 79.13), o salmista (Sl 44.11, 22; 95.7; 100.3), Davi (Sl 119.176), Isaías (Is 53.6), Jeremias (Jr 23.1; 50.6, 17), Ezequiel (Ez 34.6, 11, 12) e Jesus Cristo (Mt 10.6; 15.24): as ovelhas são Israel. Note a condição de Israel no Antigo Testamento:

 

O meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as fizeram errar e as deixaram desviar para os montes; do monte passaram ao outeiro, esqueceram-se do seu redil (Jr 50.6).

 

As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque (Ez 34.6).

 

Depois note uma profecia esquecida do Senhor:

 

Porque assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que encontra ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; livrá-las-ei de todos os lugares para onde foram espalhadas no dia de nuvens e de escuridão. Tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos diversos países, e as introduzirei na sua terra; apascentá-las-ei nos montes de Israel, junto às correntes e em todos os lugares habitados da terra. Apascentá-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem; deitar-se-ão ali em boa pastagem e terão pastos bons nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com justiça (Ez 34.11-16).

 

Note também as contrapartes no Novo Testamento:

 

Mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.6).

 

Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15.24).

 

Quando Cristo veio, suas ovelhas – como Simeão (Lc 2.25), Ana (Lc 2.36-38), Zacarias e Isabel (Lc 1.5, 6), os pastores (Lc 2.8-20) e os discípulos (Jo 1.40-49) – o conheciam (Jo 10.14), o seguiam (Jo 10.27) e receberam vida eterna (Jo 10.28). Temos aqui a separação das ovelhas entre os judeus dos bodes e a atração deles ao Messias. E como é claro a todos exceto a um calvinista, ovelhas nunca são sinônimos de “eleitos” – pergunte a um zoólogo.

 

O próximo caso dos assim chamados eleitos não regenerados de Deus também está no Evangelho de João: “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (Jo 8.47). Pink comenta:

 

Primeiramente, significa aquele que pertence a Deus pela eleição eterna. Um paralelo a este é encontrado em Jo 10.26, “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas”. É isto que, no tempo, distinguia os eleitos dos não-eleitos. Os primeiros, no devido tempo, ouvem e recebem as palavras de Deus; os últimos não. Em segundo lugar, “Quem é de Deus” significa aquele que é nascido de Deus, aquele que está na família de Deus.[13]

 

Custance acrescenta: “Tal de fato é também a implicação de Jo 8.47 endereçada àqueles que o Senhor bem sabia que não foram destinados a tornar suas ovelhas”.[14] O problema com Jo 8.47 é, em relação à Eleição Incondicional, que ele é inútil. Até mesmo Calvino não admitia que falasse da eleição eterna.[15] O versículo tinha a ver com ouvir, não com a salvação de alguém. Nada foi dito sobre como alguém veio a ser “de Deus”. Nenhuma menção foi feita que os não “de Deus” foram soberanamente decretados ser assim. Todo calvinista que usou este versículo lê a palavra eleito nele embora ela nunca ocorre em qualquer lugar no Evangelho de João. O texto é um princípio geral que os “de Deus” serão aqueles que ouvirão sua palavra e os não “de Deus” não ouvirão. Algo poderia ser mais claro?



[1] Engelsma, Hyper-Calvinism, p. 57.

[2] David Nettleton, Chosen to Salvation (Schaumburg: Regular Baptist Press, 1983), p. 161.

[3] Pink, Sovereignty, p. 100.

[4] Custance, p. 245.

[5] Clark, Predestination, p. 190.

[6] Talbot and Crampton, p. 27.

[7] Ballard, pp. 25-26.

[8] Pink, Satisfaction, pp. 251-252.

[9] Dan Phillips, “The Atonement”, The Baptist Examiner, 15 de setembro de 1990, p. 3.

[10] Pink, John, p. 536.

[11] Custance, p. 300.

[12] Ibid., p. 183.

[13] Pink, John, p. 460.

[14] Custance, p. 151.

[15] Parker, p. 132; Calvino, Commentaries, vol. 4, p. 229-230.

 
May
02
2010
Interpretando a Nossa Época Imprimir E-mail
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Artigos - Rev. Sila D. Rabello

Interpretando a Nossa Época

Lucas 12:54-59

 

Rev. Sila D. Rabello

 

Fazer uma leitura acertada dos diversos contextos que nos cercam não é tarefa simples. Os contextos emitem sinais indicativos que nem sempre são decodificados corretamente. Exemplos:

 

“Uma das firmas pioneiras na produção de computadores veio a falir por ter ultrapassado suas próprias limitações. Um dos representantes da companhia disse mais tarde: Ele, o inventor e presidente, queria ser o maior, mas não fez questão de ser o melhor. Não se preocupou quando alguns empregados se demitiram, porque pensou que iria encontrar outros tão bons como aqueles...”[1]

 

“Na primavera de 1812 mais de 600 mil homens saíram em marcha, liderados por Napoleão, com destino à Rússia, para depor o Czar Alexandre I. Muito antes do início dos combates, alguns soldados cambaleavam para fora das fileiras e desabavam na lateral da estrada.

 

“Napoleão não está preocupado com alguns soldados que desabam na beira da estrada”, disse em carta à mulher, o comandante de batalhão Friedrich Wilhelm Von Lossberg. Ninguém se importou muito, pois foram tidos como bêbados. Napoleão chegou à Rússia, mas seu exército não lutou. Até hoje se crê que foi o inverno russo que derrotou Napoleão. Somente agora, 200 anos depois, foi esclarecido que as baixas da grande marcha não eram de alcoólatras. O que impediu 400 mil homens de voltarem para casa foi um inimigo minúsculo, o piolho. Este parasita espalhou o tifo que dizimou o exército.”[2]

 

Voltando ao texto bíblico, a secção que lemos do discurso de Jesus é endereçada às multidões e não apenas aos discípulos. O ensinamento é de ordem prática. Duas lições importantes se destacam:

 

1– SABER INTERPRETAR A SUA ÉPOCA – (V.54 A 56)

 

“Disse também às multidões: Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva, e assim acontece; e, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?”

 

Desde a antiguidade e, sobretudo numa sociedade agrária, o homem aprendeu a interpretar os indicadores atmosféricos. Hoje, a televisão nos dá as previsões metereológicas. Jesus nota que as pessoas são especialistas nas observações dos aspectos do tempo: “Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva...” O poente estava na direção do Mar Mediterrâneo, de onde provinha grande evaporação resultando nuvens e chuvas. “...E, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece...” O vento sul era originário do deserto do Neguebe, fazendo os termômetros subirem. Eles acertavam nestas previsões e sabiam se situar nos pontos cardeais, no entanto, Jesus os chama de hipócritas; pessoas que fingiam serem sábias, pessoas dissimuladas e que laboravam no engano. Veja a conclusão de Jesus a respeito destas pessoas: “sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?” (v.56) Discernir é julgar com clareza, é saber analisar e explicar o seu tempo e os fatos que nele ocorrem. As pessoas nos dias de Jesus não conseguiam enxergar a importância histórica daqueles dias:

 

– A encarnação ou advento de Jesus ao mundo

– A chegada do reino de Deus à terra

– A aniquilação na nação de Israel que se aproximava com a destruição de Jerusalém.

 

Estas coisas estavam encobertas aos olhos deles, ou melhor, os sinais estavam presentes, mas não eram decodificados.

 

E nós, estamos discernindo os sinais do nosso tempo? Ou somos uma sociedade hipócrita que finge ser sábia, cuja ciência é apenas um verniz, cuja eficácia é cosmética. Os sinais estão escancarados diante de nós:

 

a) OS SINAIS DO COMPORTAMENTO SOCIAL NA MÍDIA TELEVISIVA – O  que estamos vendo em todos os canais de TV? Violência, terrorismo, estupros, pedofilia, perversões, assaltos, corrupção, guerras, crimes, divórcios, delinqüência juvenil, desamparo senil, etc... Examinemos o canal líder de audiência no Brasil:

 

A Rede Globo vem introduzindo, silenciosamente, uma cultura de libertinagem, traição, adultério e rompimento com a célula familiar de forma sutil.

 

Com o advento do BBB 10 a Globo conseguiu o que ela vinha planejando, que era testar a capacidade de tolerância da sociedade com o beijo gay ao vivo. Em duas cenas do BBB 10 aconteceram dois beijos gay. A produção do programa teve o cuidado de colocar sobre uma estante a foto do beijo. Qual o motivo? Frisar um comportamento?

 

No mesmo BBB 10 uma das participantes declarou-se lésbica e com essa declaração todas as demais mulheres do programa se aproximaram dela sendo protagonizado o selinho lésbico no programa e todos os demais a apoiaram sob o manto sagrado do não preconceito.

 

Na novela Viver a Vida o tema principal mostrado de forma engraçada e aceitável é a da traição e do adultério.

 

A Globo leva ao telespectador ao absurdo de torcer para que um irmão traia o outro ficando com sua namorada.

 

A traição nessa novela é a mola mestra do enredo, todos os personagens se traem, e isso é mostrado de forma comum, simples, corriqueira.

 

Mas talvez, a investida mais evidente e absurda está na novela das seis, Cama de Gato: A Globo superou todos os limites nessa novela ao colocar como tema uma música do grupo Titãs.

 

A letra da música é um convite descarado às forças destruidoras para que entrem  em nossa casa (coração) e destruam tudo, tirem tudo do lugar. Observem a letra da música:

 

Vamos deixar que entrem, que invadam o seu lar.

Pedir que quebrem, que acabem com seu bem-estar.

Vamos pedir que quebrem o que eu construi pra mim,

Que joguem lixo, que destruam o meu jardim.

 

Refrão:

Eu quero o mesmo inferno, a mesma cela de prisão – a falta de futuro.

Eu quero a mesma humilhação – a falta de futuro – o mesmo desespero

 

Vamos deixar que entrem, que invadam o meu quintal

Que sujem a casa e rasguem as roupas no varal,

Vamos pedir que quebrem sua sala de jantar,

Que quebrem os móveis e queimem tudo o que restar.

 

Vamos deixar que entrem como uma interrogação

Até os inocentes aqui já não tem perdão.

Vamos pedir que quebrem, destruir qualquer certeza,

Até o que é mesmo belo aqui já não tem beleza.

 

Vamos deixar que entrem e fiquem com o que você tem,

Até o que é de todos já não é de ninguém.

Pedir que quebrem, mendigar pelas esquinas

Até o que é novo já esta em ruínas.

 

Vamos deixar que entrem, nada é como você pensa,

Pedir que sentem aos que entraram sem licença,

Pedir que quebrem, que derrubem o meu muro,

Atrás de tantas cercas quem é que pode estar seguro?

 

Imaginem tudo isso entrando em sua casa, sendo cantado, verbalizado, o resultado é Maldição!

 

Imaginem nossas crianças cantando isso? Trazendo isso pra dentro do coração e da alma? Imaginem vocês, filhos de Deus, cantando isso? Tente imaginar de onde o compositor dessa infâmia tirou inspiração para compôr tamanha afronta?

 

A palavra de Deus é clara quando diz: “Não porás coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado...” (Deuteronômio 7:26) Você é responsável por selecionar os programas, filmes, músicas, e tudo que chega à sua casa e à sua vida. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, diz o Senhor Jesus. (Mt 11:15)

 

b) OS SINAIS DA POLÍTICA MUNDIAL – O presidente da maior economia mundial, Barack Obama, se recusou a celebrar o “Dia Nacional de Oração” na Casa Branca, mas hospedou uma grande festa para lançar o mês do “Orgulho Gay e Lésbico” em junho de 2009 e reconheceu o mês islâmico sagrado de Ramadã, na Casa Branca.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionou em território nacional o presidente Mahmoud Ahmadinejad, representante de um regime autoritário, que nega os direitos humanos, protege o terrorismo e expõe uma falsa democracia, que nega um fato histórico, o holocausto, e que se prepara para a produção da bomba atômica; fato que desencadeará um grande conflito no oriente médio. Lula e os próceres da política externa vivem cortejando o Irã e beijando a mão de líderes populistas cujas mãos estão manchadas de sangue inocente. Isto não é bom para o Brasil.

 

A Rússia mergulhada na corrupção e travada no desempenho de suas grandes estatais começa a ver a necessidade de sacudir o Capitalismo de Estado instaurado por Vladimir Putin. A crise financeira logo a forçará a abrir caminho rumo às riquezas do Oriente médio.

 

A Europa fragilizada por crises financeiras, crescimento do terrorismo, vê a diminuição de sua população, enquanto cresce a população muçulmana, além de suas posições liberalizantes em assuntos que se chocam com as leis de Deus. Estes sinais não podem ser ignorados quando se pretende traçar a trajetória política do mundo pós-moderno. Outro sinal evidente é:

 

c) A DESCONSTRUÇÃO DA DIVINDADE DE JESUS – Porque este sinal é importante? Por que há dois mil anos, o mundo da época foi preparado para um grande acontecimento: a revelação de Jesus na história! Apresentado como divino, sendo Ele o próprio Deus que se humanizou. Desde então, a pregação da Igreja visa confirmar e demonstrar a divindade de Jesus. Desconstruir esta base significa derrubar a fé cristã. Desde o primeiro século da era cristã, somam-se esforços para corroer esta verdade. Os exemplos são os mais diversificados, como estes:

 

O Jornal “O Estado de São Paulo”, caderno A-20, publicou em 20.02.2010: “Elton John afirma: Jesus era um gay superinteligente.” Esta declaração do cantor inglês foi publicada na revista “Parade”. Ele disse que Jesus foi um gay compassivo, superinteligente, que entendia os problemas humanos.

 

Na Índia, um livro didático destinado a estudantes do ensino fundamental, retratou Jesus fumando e segurando uma lata de cerveja. A editora irresponsável, Skyline Publications, até agora não se manifestou sobre a blasfêmia.

 

Críticos tentam achar algum defeito em Jesus. Dan Brown em seu livro “O Código da Vinci” lançou dúvida sobre a integridade do Mestre nos milhares de leitores desavisados. O diabo sabe que, se lançar dúvidas sobre a integridade de Jesus, o arcabouço da fé cristã pode balançar. Mas, a Bíblia declara: “Jesus não teve defeito! Ele em nada pecou!”

 

Jesus é o divisor da experiência religiosa. Reconhecê-lo como Deus é a chave para a compreensão da revelação de Deus à humanidade.

 

d) O SINAL DO “PRINCÍPIO DE DORES” – Eu disse: “Princípio de dores”, não estou sendo apocalíptico, pois segundo o Apocalipse, a desordem mundial será muito mais intensa. Neste momento, nos encaminhamos para tal quadro.

 

Os sinais começam a ser discernidos por cosmólogos, astrofísicos e estudiosos das ocorrências temporais. A natureza está em convulsão:  terremotos, tsunamis, ciclones, tempestades, nevascas, degelo das calotas polares, aquecimento global, queda de meteoritos, incêndios florestais e outros males decorrentes das forças da natureza.

 

Estamos discernindo esta época? Estamos percebendo nela, juízos divinos, avisos, ou apenas causas naturais?

 

Os ambientalistas reconhecem a culpa humana, a intervenção do homem na natureza e lutam para que salvemos o planeta. Pena que só enxergam as ocorrências naturais. A agressão no mundo não se dá apenas no espaço físico. Agride-se o autor do projeto, o criador dos sistemas, o mantenedor da harmonia cósmica. Toda a transgressão ambiental ou moral leva a natureza a sentir dores. A salvação de todas as coisas começa com aquele que Deus enviou ao planeta com um nome pré-escolhido: “Ele se chamará Jesus...” (Mateus 1:21) Por quê? Por que seu nome significa salvador.

 

Quantos fatos estão ocorrendo numa velocidade atordoante. Os cristãos precisam hoje, não de fanáticos emocionais, mas de gente de oração, meditação e estudo, gente que possa definir as tendências, ou seja, mostrar a inclinação, a propensão, a direção para onde vão os acontecimentos sob uma análise conjuntural. Gente que tenha capacidade prospectiva, capacidade de ver adiante, ao longe, interpretando os sinais do presente. O presente é uma construção prenhe do futuro.

 

Precisamos de novos filhos de Issacar!

 

No livro bíblico das Crônicas, há um verso que passa quase despercebido, na grande estrutura administrativa do reino de Davi. O Texto noticia que cada tribo de Israel apresentou um contingente a serviço do rei: homens valentes e bem treinados, príncipes, guerreiros de renome, capitães, peritos em armamentos, etc. Quando se menciona a tribo de Issacar, diz que ofereceram 200 chefes “Conhecedores da época”, ou seja, eruditos, para saberem o que Israel devia fazer em quaisquer circunstâncias. (I Crônicas 12:32)

 

Os filhos de Issacar sabiam fazer a leitura do tempo que viviam, eram conhecedores da época, por isso, podiam propor alternativas, soluções e ações táticas.

 

As empresas pagam vultosas somas por consultorias. Recorrem a peritos que estudam as tendências e propõem caminhos. Estão certas, pois o alvo destas empresas é como ganhar mais dinheiro.

 

A Igreja é a única agência de Deus na terra para cuidar da alma humana e amenizar o sofrimento. Não pode perder o escopo da missão que é levar o homem a ganhar o céu e não apenas se aliviar das mazelas terrenas. Que Deus possa levantar dentre as fileiras cristãs, os melhores consultores com habilidade de discernir os tempos que estamos vivendo e que tenham resposta para a pergunta: – Guarda, a que horas estamos da noite?

 

A segunda lição do ensino de Jesus está nos versos 57 a 59:

 

2– Saber julgar e saber fazer escolhas – “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”

 

As pessoas são livres para fazerem escolhas e acabam escolhendo coisas que vão prejudicá-las no futuro. Precisamos do senso de retidão, de justiça, para agir com imparcialidade condenando ou absolvendo nossas ações morais, aprovando ou rejeitando coisas, sem sermos auto-indulgentes. Ser justo é reconhecer o seu direito e o do outro, é agir com critério, é aprender a valorar as coisas tendo como parâmetro a Lei de Deus.

 

CONCLUSÃO:

 

Jesus conclui o seu ensino com uma ilustração: “Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te para te livrares desse adversário no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, o juiz te entregue ao oficial e o oficial te recolha à prisão.”

 

Há um momento para se livrar de situações conflitantes e demandas judiciais. Devemos correr atrás de um acordo enquanto há tempo. Um acordo consensual é sempre melhor do que uma demanda litigiosa. Reconciliação já!

 

Espiritualmente aprendemos: Deus é o reto juiz. O ser humano que vive alienado de Deus não sabe discernir o tempo que tem sobre a terra. Chega o dia de ser levado ao tribunal e poderá  ser condenado à perdição. Devemos nos reconciliar com Deus antes que seja tarde. Perante Ele, convém ajustar as contas sem demora, enquanto estamos no caminho da vida. Devemos nos livrar de toda a influência do acusador enquanto estamos transitando rumo à eternidade.

 

Vivamos de olhos abertos, captemos os sinais que estão à nossa volta, peçamos discernimento espiritual a Deus e façamos as melhores escolhas para as nossas vidas! Amém!

 

Publicada na Revista Kerygma de Boas Novas. Nº 17

Março/Abril de 2010

 

 



[1] YOUSEF, Michael, O Estilo de Liderança de Jesus, Ed. Betânia, MG, 1987, p. 36.

[2] Adaptado – Jornal o Estado de São Paulo, 02/08/2009, A, 19.

 
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